Flavio Cruz

A consciência de Julian

Num segundo, Julian estava em frente a seu laptop e, no segundo seguinte, o que estava lá era uma estranha máquina, uma espécie de holograma com estranhas imagens e sinais. Estranhou, mas foi apenas por uma fração de segundo, também. Aquilo agora era parte de sua rotina, já não se lembrava mais da velha máquina.
Alguns minutos depois, levantou-se, caminhou alguns passos e a porta de seu escritório se abriu automaticamente para um outro ambiente. Ele queria ir para sua sala de lazer. Ao contrário, porém, estava, de repente, numa grande sala de aula. Sentiu um calafrio, mas também foi por algumas frações de segundo. Olhou para o calendário ao lado da porta e um círculo marcava a data: 11 de março de 1992. Era uma aula de história que iria dar. Sentiu um ligeiro calafrio e viu-se, novamente, em outro lugar. Era escuro, mas dava para ver uma luz que vinha de fora.
Caminhou até a luz, fechou os olhos para se proteger dos raios poderosos do sol. Devagar se acostumou e viu que tinha pelos longos, estava descalço e seminu. Tinha saído de sua caverna e estava com fome, sabia que teria de caçar. Pegou sua lança e penetrou numa espécie de bosque que estava à sua frente. Não demorou para que ele visse um movimento entre as folhas. Lançou com força e precisão a sua arma. Pode vê-la zunindo no ar. Sua velocidade foi aumentando, aumentando e tudo à sua volta desapareceu. Era um branco de luz total. Foi, então que viu um ser que também parecia ser feito de luz. Não tinha idade: podia ser uma criança de 8 ou um ancião de 180 anos. Podia ouvir seu pensamento e sentir seu sorriso. Avisou que não era para ficar assustado. Tinha havido uma ruptura de consciência. Não existia o tempo, ele explicou. Tudo acontece ao mesmo tempo. A consciência é múltipla e sente tudo, mas a sensação é de que só se está sentindo uma experiência.
Ele continuou e disse que ele iria voltar, mas não ia se lembrar de nada. E assim foi. Julian estava de volta frente a seu velho laptop. Sentia por dentro uma enorme e estranha força, como se a vida estivesse explodindo dentro de si.
E Julian sentiu que aquilo era bom.

 

 

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Published on e-Stories.org on 12.10.2016.

 

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